sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Educação Física e os Jogos nas Séries Iniciais





O jogo e o brincar estão intimamente ligados com a vida das crianças, a partir de uma certa faixa etária e com o passar dos anos, as brincadeiras tidas por preferência dos alunos também vão mudando, com a Educação Física na escola não é diferente, a partir de uma faixa etária se vê a necessidade de proporcionar aos alunos atividades diversificadas, e uma das práticas como conteúdo escolar mais valorizada pelo profissional da área da Educação Física é o esporte ou jogo propriamente dito. De acordo com Brougére: ”O jogo é considerado como uma atividade que imita ou simula uma parte real”. (1998, p.18)
            Deve-se ter em mente a importância de se trabalhar, introduzir e incentivar o esporte na escola de forma recreativa, pois, alem de benefícios corporais o esporte torna se, contudo muito atrativo, e pode-se observar que o principal elemento para a execução do mesmo é a união do grupo.
            Ou seja, os jogos podem desenvolver estímulos para habilidades operatórias dependendo de como o professor trabalha som suas regras e fundamentos.
            A partir disso os jogos devem ser construídos e apresentados visando objetivos específicos, o educador deve procurar não despertar o sentimento de competição acirrada, por mais que esteja trabalhando com o esporte, deve-se buscar aproveitar a disposição natural da criança pela pratica esportiva pelo simples prazer de jogar.
            Alem disso para as séries onde começa a apresentação do esporte na escola, deve-se selecionar jogos simples, com pouca cobrança, para serem praticadas por todas as crianças que estão neste período em faze de desenvolvimento, a integração social precisa ser incentivada. Conforme Brougére: “Jogar é agir, e a ação é uma expressão por excelência. O jogo é assim, file à forma mais primária de expressão da criança”. (1998, p.95)
            O jogo supõe uma relação social, é jogando que a criança aprende o valor do grupo e da colaboração espontânea e consciente.
            Segundo Brougére:

O jogo é o resultado de relações individuais, por tanto de cultura. Deve-se partir dos elementos que a criança encontra em seu ambiente imediato, estruturado em partes por seu meio, para se adaptar as suas capacidades. O jogo pressupõe uma aprendizagem social. Aprender-se jogar. O jogo não é inato, pelo menos nas formas que assume no homem. A criança pequena é iniciada no jogo pelas pessoas que se ocupam dela, particularmente sua mãe ou o adulto que por ela é responsável. Dizem que a criança de alguns dias ou algumas semanas joga por sua própria iniciativa não tem sentido. (1998, p.189)

            O esporte é fundamental na vida da criança, pois envolve a participação, reúne indivíduos e comunidades, tanto é capas de promover a diversidade e inclusão social. Alem disso é capaz de despertar o aprendizado de habilidades, tais como: a cooperação, o trabalho em equipe, a resolução de problemas, a disciplina e a liderança. E também de valores como: o respeito, a honestidade, a confiança, o jogo limpo, a tolerância, a solidariedade, o valor do esforço e como lidar com as vitórias e as derrotas.
            Segundo Gonçalves, Pinto e Teuber:

Considerando tudo o que foi apresentado, não pode-se ignorar ainda o valor que os jogos tem enquanto conteúdo na Educação Física escolar possuem, principalmente por suas características fundamentais: a ludicidade, a liderança e o prazer. Estes se diferenciam por não estarem sujeitos a regras rígidas, uma vez que o que se busca é a diversão na descontração.
Através das experiências lúdicas vivenciadas nos jogos, que começa-se a desenvolver na escola, os valores que devem ser fortalecidos nas atividades esportivas. (2007, p.07)

            É de suma importância trazer para dentro da escola os esportes que são praticados fora dela, principalmente quando se fala da apresentação de esportes e jogos para alunos de forma recreativas, deve-se ter a atenção voltada, para os aspectos lúdicos e recreativos das brincadeiras, que possam proporcionar aos alunos uma forma divertida de aprendizagem, sem que haja a atenção voltada e nem preocupação com técnicas, táticas e as regras dos esportes.
            A partir disso deve-se se dar ênfase para a importância do desenvolvimento de jogos pré – desportivos, pois os mesmos auxiliam em noções básicas de lateralidade, olhar periférico, deslocamento, habilidades, precisão, entre outros aspectos que serão muito utilizados nas séries futuras, quando será apresentado aos alunos, as formas corretas de execução de fundamentos e posicionamento das diversas modalidades esportivas.
            Segundo Brougére:

O jogo não é uma modificação dos princípios da análise, mas, com crianças, o meio de ser fiel a eles.
Segundo M. Klein, o jogo funcionava de modo comparável ao sonho; fornece um conteúdo simbólico, a interpretar conforme as mesmas modalidades: é por tanto, a via principal de acesso ao inconsciente da criança. O jogo é, por conseguinte, um material a interpretar. (1998, p.95)
           
Os jogos sejam eles dirigidos a crianças, jovens ou adultos, contribuem muito para a socialização uma vez que se estabelecem relações, pois o jogo, possibilita uma maior aceitação entre as pessoas, resgatando assim a socialização e a integração das mesmas. Conforme Amaral: “Eles transitam na importância do aspecto lúdico, promovendo através de seus dinâmicos estímulos a cooperação, o coleguismo, o respeito; fortalecimento de vínculos afetivos entre outros”. (2007, p.94)
            Através do esporte trabalhado na Educação Física, pode-se possibilitar aos alunos uma aplicação da visão corporal do movimento, viabilizando a autonomia para o desenvolvimento de uma prática pessoal e a capacidade de executar movimentos para o seu desenvolvimento físico, motor, psicológico e social.
            Segundo Amaral:

Através dos jogos, as pessoas passam a dar mais valor aos diferentes tipos de relacionamento de suas vidas, conscientizando-se mais pelos seus comportamentos, sentimentos, interesses, escolhas e compromissos. Jogarmos para que juntos possamos superar desafios, e para isso libertarmos nossas potencialidades e solidariedade em defesa do grupo. E termos o prazer e satisfação de ver que o mesmo acontece com nossos parceiros. Devemos saber jogar com o outro para juntos termos a possibilidade de compartilhar o sucesso. (2007, p.64)

            Por tanto deve-se ter em mente, que o professor deve saber aplicar jogos esportivos que proporcionem a interação de todos os alunos, sem que haja a distinção por habilidades e a ênfase na competição. De acordo com Amaral: ”A criança jogará pelo prazer de jogar. Não por uma vitória, e sim pelo divertimento sem a ameaça de não atingir o objetivo”. (2007, p.28)
            Os jogos devem propor a busca de novas formas de jogar, com o intuito de diminuir as manifestações de agressividade nos jogos, promovendo atitudes de sensibilidade, cooperação, comunicação, alegria e solidariedade.
            A partir disso deve-se ter em mente que a Educação Física na escola quando trabalhada em torno do esporte e do jogo, só será valida se não buscar a técnica e os melhores, mas sim que tenha o papel de proporcionar o conhecimento esportivo e a vivência dos esportes por todos os alunos, através de atividades e métodos recreativos.
            Segundo Amaral:

O jogo propicia oportunidades atraentes e ricas em diversas situações o que possibilita uma grande dinamicidade de vivências: confrontamento de pontos de vista, defesa de interesses participação em discussões vivência da crise e do conflito. O jogo evidencia-se portanto, como potencializador de fatores sócio emocionais, como a cooperação e a descontração. O jogo contribui para a construção do desenvolvimento da moralidade, da sociabilidade, da emocionalidade, do desejo e da solidariedade. (2007, p.30)

            Cabe ao professor criar situações em que os alunos possam vivenciar na pratica questões como, ética, respeito mutuo, direito e deveres, solidariedade dentre outros, o jogo não representa apenas as experiências vividas, mas prepara o individuo para o que esta por vir, executando habilidades e principalmente estimulando o convívio social.
Segundo Amaral: “Este é o grande desafio do professor, estimular a criatividade, não apenas na execução dos jogos, mas também na suas criação”. (2007, p.34)
            Por tudo isso, evidencia-se o grande valor educativo do jogo e a importância de se trabalhar este conteúdo de forma comprometida, com a formação física, intelectual, moral e social do aluno.Conforme Amaral: “Através do jogo o homem constrói pontes de comunicação. A partir disso devemos estar vigilantes para as mensagens que transmitimos através dele, para não reproduzirmos os valores individualistas e agressivos da sociedade em que vivemos”. (2007, p.36)
            Por esta razão afirma-se que o jogo esportivo, quando trabalhado corretamente é de um ganho muito grande no desenvolvimento dos alunos, na medida em que é um fator muito grande de motivação, fazendo com que os mesmos se dêem conta da importância que temos uns para os outros, e como, juntos podemos contribuir para um mundo melhor. Pois de acordo com Amaral: “Vivemos em um mundo do primeiro lugar, na inclusão da vitória, onde quem se beneficia dos sorrisos, dos olhares satisfeitos, das caras de aprovação, dos gritos de exaltação e dos louvores é apenas uma pessoa”. (2007, p.35)


REFERÊNCIAS

AMARAL, Jader Denicol do. Jogos Cooperativos. 2ª ed. São Paulo: Phorte Editora, 2007.

BROUGÈRE, Gilles. Jogo e Educação. Porto Alegre: Editora Artes Médicas, 1998.

GONÇALVES, Maria Cristina; PINTO, Roberto C. Alves; TEUBER, Silvia Pessoa. Repensando a Educação Física: da Educação Infantil ao Ensino Fundamental – Qualidade de Vida - Módulo 1. Curitiba: Bolsa Nacional do Livro, 2007.

GONÇALVES, Maria Cristina; PINTO, Roberto C. Alves; TEUBER, Silvia Pessoa. Repensando a Educação Física: da Educação Infantil ao Ensino Fundamental – Esporte na Escola - Módulo 2. Curitiba: Bolsa Nacional do Livro, 2007.

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